sexta-feira, 25 de setembro de 2026
SAÚDE

Uso excessivo de telas: impactos na saúde e como reduzir o tempo em São Paulo

O uso excessivo de telas pode prejudicar o sono, o aprendizado, a visão e o bem-estar emocional, especialmente entre crianças e adolescentes. Saiba como identificar sinais de alerta e adotar limites mais saudáveis em casa.

O uso excessivo de telas pode afetar a saúde e a rotina de crianças, adolescentes e adultos. Celulares, tablets, computadores, videogames e televisores fazem parte do cotidiano, mas o tempo prolongado diante desses dispositivos pode reduzir a qualidade do sono, dificultar a concentração, aumentar o sedentarismo e prejudicar a convivência familiar.

As consequências variam de acordo com a idade, o tipo de conteúdo acessado, o horário de uso e o espaço que as telas ocupam na rotina. Por isso, mais do que observar apenas o número de horas, é importante avaliar se o uso está substituindo o sono, as refeições, as atividades físicas, os estudos, as brincadeiras e o contato presencial.

Quais são os impactos do uso excessivo de telas?

Entre os efeitos associados ao uso precoce, prolongado ou inadequado estão alterações no sono, dificuldades de atenção e aprendizado, irritabilidade, ansiedade, sedentarismo, sobrepeso, fadiga visual e problemas posturais. O Guia do Governo Federal sobre crianças, adolescentes e telas também aponta riscos relacionados à exposição a conteúdos impróprios, cyberbullying, comparação social e sofrimento emocional. (gov.br)

O uso de dispositivos à noite merece atenção. A exposição às telas antes de dormir pode dificultar a criação de uma rotina de descanso, especialmente quando o aparelho permanece no quarto ou é usado durante a madrugada. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas pelo menos uma hora antes do horário de dormir. (sbp.com.br)

Qual é o tempo recomendado por idade?

No Brasil, as orientações divulgadas pelo Governo Federal com base nas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria indicam que crianças menores de 2 anos não sejam expostas às telas. Entre 2 e 5 anos, o limite recomendado é de até uma hora por dia, preferencialmente com acompanhamento de um adulto. Para crianças de 6 a 10 anos, a indicação é de até duas horas diárias; entre 11 e 17 anos, de até três horas por dia. Essas referências devem ser adaptadas à realidade de cada família e não substituem a avaliação de profissionais de saúde. (gov.br)

A Organização Mundial da Saúde também recomenda limitar o tempo sedentário diante de telas na primeira infância e priorizar sono adequado, movimento e interação com adultos. (who.int)

Como reduzir o tempo de tela em casa

Uma mudança gradual tende a ser mais sustentável do que retirar o aparelho de forma abrupta. Algumas medidas práticas podem ajudar:

  • estabeleça horários definidos para celular, televisão, jogos e redes sociais;
  • mantenha as refeições livres de telas;
  • retire dispositivos do quarto, principalmente durante a noite;
  • crie pausas frequentes durante atividades prolongadas;
  • ofereça alternativas, como brincadeiras, leitura, atividades ao ar livre e convivência familiar;
  • ative ferramentas de supervisão parental e ajuste o conteúdo à faixa etária;
  • dê o exemplo, reduzindo também o uso de aparelhos durante os momentos de convivência.

O Governo Federal recomenda que familiares evitem usar dispositivos como recurso de barganha e que conversem com crianças e adolescentes sobre privacidade, cyberbullying, contatos desconhecidos e exposição de imagens. (gov.br)

Quando buscar ajuda

É importante procurar orientação de pediatra, psicólogo, psiquiatra ou outro profissional habilitado quando o uso de telas estiver associado a sofrimento mental, isolamento, agressividade, queda no rendimento escolar, alterações persistentes do sono, perda de interesse por outras atividades ou dificuldade intensa para interromper o acesso.

Em casos de autolesão, ameaças, violência, exposição a conteúdos perigosos ou sofrimento emocional intenso, a família deve buscar atendimento profissional com urgência. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas organizar seu uso para que ela não substitua necessidades básicas do desenvolvimento, como dormir, brincar, movimentar-se, aprender e conviver.