A ergonomia e a saúde no ambiente de trabalho estão diretamente relacionadas à forma como as tarefas, os equipamentos e o espaço são organizados. O objetivo é adaptar as condições de trabalho às características dos profissionais, reduzindo desconfortos, fadiga e riscos de adoecimento.
No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece parâmetros para a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. A norma aborda temas como mobiliário, organização das tarefas, levantamento de cargas, conforto ambiental e avaliação ergonômica.
Como ajustar o posto de trabalho
Em atividades realizadas diante do computador, a tela deve ficar posicionada de modo que o trabalhador não precise manter o pescoço inclinado por longos períodos. Teclado e mouse precisam estar próximos, permitindo que os braços permaneçam relaxados e os ombros sem elevação constante.
A cadeira deve oferecer apoio adequado e permitir ajustes compatíveis com a altura do trabalhador. Os pés precisam alcançar o chão ou contar com apoio estável. Também é importante manter objetos usados com frequência dentro de uma distância confortável, evitando torções e movimentos repetitivos desnecessários.
No trabalho remoto, a mesa da cozinha, o sofá ou a cama podem parecer soluções práticas, mas o uso prolongado desses locais tende a favorecer posturas inadequadas. Sempre que possível, é recomendável reservar um espaço com cadeira, superfície firme, iluminação suficiente e circulação de ar.
Pausas e organização das tarefas
A prevenção não depende apenas da cadeira ou da posição do monitor. A organização do trabalho também influencia a saúde. Alternar atividades, variar a postura e fazer pausas conforme as exigências da função pode ajudar a reduzir a sobrecarga muscular e visual.
As pausas devem respeitar as regras aplicáveis à atividade e não substituem a necessidade de um planejamento adequado das tarefas. Caminhar brevemente, mudar de posição e afastar os olhos da tela são medidas simples que podem contribuir para reduzir a sensação de cansaço.
Atenção aos sinais do corpo
Dor persistente, formigamento, perda de força, dormência, rigidez, ardência nos olhos ou cansaço frequente não devem ser ignorados. Esses sinais podem ter diferentes causas e não permitem, sozinhos, concluir que existe uma doença relacionada ao trabalho.
Quando os sintomas aparecem ou se repetem, o trabalhador deve comunicar a situação ao responsável pela área, ao setor de saúde e segurança ou ao serviço de saúde ocupacional da empresa. A avaliação de um profissional de saúde é importante para identificar a causa e indicar a conduta adequada.
Responsabilidades de empresas e trabalhadores
A empresa deve avaliar os riscos presentes nas atividades e adotar medidas de prevenção compatíveis com cada função. A NR-17 prevê a avaliação ergonômica preliminar e, quando necessário, a Análise Ergonômica do Trabalho, especialmente diante de mudanças nos métodos, processos ou tecnologias.
O trabalhador, por sua vez, deve utilizar corretamente os equipamentos, participar das orientações oferecidas e informar desconfortos ou dificuldades encontrados na execução das tarefas. A prevenção funciona melhor quando problemas do ambiente são identificados antes que se transformem em lesões ou afastamentos.
Em São Paulo, trabalhadores podem buscar orientação nos canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, nos serviços de saúde ocupacional da empresa e na rede pública de saúde. Em situações de dor intensa, perda de força ou sintomas súbitos, a recomendação é procurar atendimento médico.