sexta-feira, 25 de setembro de 2026
SAÚDE

Inteligência artificial na medicina: como novas ferramentas são usadas em São Paulo

Entenda como a inteligência artificial está sendo aplicada à medicina, quais ferramentas podem ser usadas por pacientes e equipes de saúde e quais cuidados são necessários antes de confiar em resultados automatizados.

A inteligência artificial na medicina em São Paulo já aparece em sistemas de apoio ao diagnóstico, plataformas de monitoramento de pacientes, prontuários eletrônicos e ferramentas que ajudam equipes a organizar informações clínicas. A tecnologia pode tornar processos mais rápidos, mas não substitui a avaliação, o julgamento e a responsabilidade de profissionais habilitados.

Em agosto de 2026, o Ministério da Saúde informou que soluções com monitoramento contínuo, integração ao prontuário eletrônico e análise de riscos estavam sendo discutidas no contexto dos hospitais inteligentes e da transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive em evento realizado em São Paulo.

Onde a inteligência artificial é aplicada

Entre os usos mais comuns estão a análise de imagens médicas, a identificação de padrões em exames, o acompanhamento de sinais vitais e a priorização de atendimentos. Também existem sistemas capazes de organizar dados do prontuário, gerar alertas para a equipe e apoiar tarefas administrativas, como transcrição e resumo de informações.

Essas ferramentas funcionam como apoio. Um resultado automatizado precisa ser interpretado junto com o histórico do paciente, o exame físico, os exames complementares e outros dados clínicos. Um alerta de risco não confirma uma doença, assim como a ausência de alerta não garante que não exista um problema.

O que pacientes devem observar

Aplicativos, relógios e anéis inteligentes podem acompanhar sono, frequência cardíaca e outros indicadores. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que esses dispositivos não devem ser usados sozinhos para confirmar doenças, alterar medicamentos ou substituir exames e consultas.

Em orientação publicada em 27 de agosto de 2026, a Anvisa informou que não havia, até aquela data, software médico regularizado especificamente para usar apenas dados de anéis inteligentes. A agência também destacou que não existiam smartwatches ou anéis autorizados para medição não invasiva de glicose ou oximetria.

Antes de comprar ou utilizar uma ferramenta, o usuário deve verificar quem é o fabricante, qual é a finalidade declarada, quais dados são coletados e se o produto apresenta informações claras sobre limitações. Quando houver finalidade médica, também é recomendável consultar a situação do produto no sistema de consultas da Anvisa.

Regulação e responsabilidade profissional

A Anvisa considera que determinados softwares podem ser classificados como dispositivos médicos quando têm finalidade de diagnóstico, monitoramento ou apoio ao tratamento. Nesses casos, a regularização depende da finalidade de uso e do risco associado ao produto, e não apenas do fato de o sistema utilizar inteligência artificial.

Para softwares médicos que usam IA, a documentação pode incluir informações sobre a técnica aplicada, as bases de dados utilizadas, o histórico de treinamento e as evidências clínicas relacionadas ao uso pretendido. Essas exigências ajudam a avaliar segurança, desempenho e limites da solução.

O Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM nº 2.454/2026, que estabelece normas para pesquisa, desenvolvimento, governança, auditoria, monitoramento, capacitação e uso responsável de IA na medicina. A norma reforça a necessidade de transparência, acompanhamento e respeito à autonomia médica e aos direitos dos pacientes.

Como usar essas ferramentas com segurança

  • Não compartilhe dados pessoais ou exames em plataformas sem política de privacidade clara.
  • Não interrompa, inicie ou altere tratamentos com base apenas em uma resposta automatizada.
  • Confirme diagnósticos e resultados com profissional habilitado.
  • Desconfie de aplicativos que prometem diagnosticar doenças sem avaliação clínica.
  • Em caso de sintomas ou emergência, procure atendimento de saúde.

A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões médicas, mas seu uso seguro depende de validação, supervisão profissional, proteção de dados e informação transparente sobre o que a ferramenta pode — e não pode — fazer.