sexta-feira, 25 de setembro de 2026
MANCHETES

Pequenos negócios ganham espaço na economia paulista e ampliam presença em serviços e comércio

Pequenos negócios ampliam participação na economia paulista, com milhões de MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte registradas no estado. Serviços, comércio e empreendedorismo regional concentram boa parte do movimento.

Os pequenos negócios ganharam espaço na economia paulista nos últimos anos, impulsionados pela abertura de novas empresas, pela expansão dos serviços e pela busca de alternativas de renda e trabalho. Dados do Sebrae e da Fundação Seade mostram que microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte representam a maior parte dos estabelecimentos registrados no Estado de São Paulo.

Até 2025, o estado reunia cerca de 3,7 milhões de MEIs, 3 milhões de microempresas e 524 mil empresas de pequeno porte, segundo dados da Receita Federal compilados pelo Observatório Sebrae. Juntos, esses grupos correspondem à maior parcela dos estabelecimentos formais paulistas e ajudam a explicar a capilaridade dos pequenos negócios em diferentes municípios e setores. (observatorio.sebrae.com.br)

Serviços lideram a abertura de novos negócios

O setor de serviços concentra a maior parte dos novos empreendimentos. Entre maio de 2024 e abril de 2025, o Estado de São Paulo registrou 850.624 novos MEIs. Desse total, 561.980 estavam ligados a atividades de serviços, o equivalente a 66,1% dos registros no período.

O comércio apareceu na segunda posição, com 155.213 novos MEIs, seguido pela indústria, com 69.731, pela construção, com 59.888, e pela agropecuária, com 3.812. A Região Metropolitana de São Paulo concentrou 423.467 registros, enquanto as regiões de Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos também apresentaram números expressivos. (empresa.seade.gov.br)

O movimento continuou no período seguinte. Entre junho de 2025 e maio de 2026, mais de 610 mil novas empresas foram constituídas no território paulista, conforme levantamento do Seade Empresa. O comércio respondeu por quase 126 mil desses novos negócios, enquanto os serviços permaneceram entre os principais vetores de expansão. (jornal.usp.br)

Faturamento cresce, mas cenário ainda é desigual

O avanço no número de empresas ocorre em um ambiente de oportunidades e desafios. Pesquisa do Sebrae-SP mostrou que as micro e pequenas empresas paulistas tiveram crescimento real de 4,4% no faturamento acumulado de 2024, na comparação com o ano anterior. O resultado considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE.

A indústria apresentou alta de 7,9%, os serviços cresceram 4,1% e o comércio avançou 0,5%. Apesar do resultado anual positivo, dezembro de 2024 registrou queda de 9,1% no faturamento das MPEs em relação ao mesmo mês de 2023. O desempenho indica que a expansão não ocorre de forma homogênea entre os setores e ao longo do ano. (sp.agenciasebrae.com.br)

Os MEIs enfrentaram mais dificuldades. O faturamento desse grupo caiu 5,2% no acumulado de 2024, segundo o mesmo levantamento. Entre os fatores apontados pelo Sebrae-SP estão a inflação sobre alimentos e serviços, a concorrência e a desaceleração da atividade econômica no fim do ano.

Importância para a economia regional

A presença dos pequenos negócios vai além dos números de abertura e faturamento. Eles atendem mercados locais, movimentam cadeias de fornecedores e ampliam a oferta de produtos e serviços em bairros, cidades médias e regiões do interior. A distribuição dos novos empreendimentos também mostra que o empreendedorismo paulista não está restrito à capital.

Para consolidar esse crescimento, especialistas e entidades de apoio destacam a importância de gestão financeira, acesso a crédito, qualificação e canais de comercialização. O desafio é transformar a expansão no número de CNPJs em negócios sustentáveis, capazes de aumentar receitas, gerar empregos e permanecer ativos diante das oscilações do consumo e dos custos de operação.