sexta-feira, 25 de setembro de 2026
MANCHETES

Mercado imobiliário em São Paulo registra recorde de lançamentos e muda de perfil

O mercado imobiliário de São Paulo registrou aumento expressivo nos lançamentos, puxado pelo Minha Casa, Minha Vida. Ao mesmo tempo, segmentos de médio e alto padrão enfrentam ritmo mais lento de vendas e custos maiores.

O mercado imobiliário em São Paulo iniciou 2026 com aumento da oferta de imóveis residenciais, forte participação do Minha Casa, Minha Vida e mudanças no comportamento da demanda. Os dados mais recentes indicam que o segmento econômico continua liderando os lançamentos, enquanto os imóveis maiores, voltados às faixas de médio e alto padrão, enfrentam um ritmo mais lento de comercialização.

De acordo com levantamento apresentado pelo Secovi-SP em julho de 2026, foram lançadas 144,7 mil unidades residenciais verticais na capital paulista no acumulado de 12 meses até maio. O resultado representa alta de 17% em relação ao período anterior. Do total, 94,8 mil unidades estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, crescimento de 25% e participação de 65% nos lançamentos da cidade. (secovi.com.br)

Minha Casa, Minha Vida amplia participação

O desempenho do programa habitacional também foi destaque no balanço de 2025. Segundo dados divulgados pelo setor, São Paulo encerrou aquele ano com 139,7 mil unidades residenciais lançadas em 12 meses, alta de 34% na comparação com 2024. As unidades do Minha Casa, Minha Vida representaram 61% dos lançamentos e 64% das vendas, com tíquete médio próximo de R$ 270 mil. (abecip.org.br)

O perfil dos imóveis mais procurados reforça a predominância das unidades compactas. Em dezembro de 2025, apartamentos de dois dormitórios responderam por 66% das vendas, enquanto os imóveis de até 45 metros quadrados representaram 64% da comercialização mensal. A concentração mostra a adaptação das incorporadoras ao orçamento das famílias e às condições de financiamento disponíveis.

Vendas de imóveis maiores perdem velocidade

Apesar do crescimento dos lançamentos, o mercado não avança de maneira uniforme em todas as faixas. O Secovi-SP registrou desaceleração na velocidade de vendas entre janeiro e maio de 2026, especialmente nos imóveis com mais de 66 metros quadrados. O cenário indica maior dificuldade para os segmentos de médio e alto padrão, que dependem mais de crédito bancário e de renda elevada. (secovi.com.br)

Outro ponto de atenção está no financiamento. Em 2025, o crédito imobiliário baseado nos recursos da poupança recuou 13%, segundo dados apresentados pelo setor. Em contrapartida, recursos do mercado de capitais e do caixa das empresas passaram de R$ 6 bilhões para R$ 29 bilhões no financiamento à construção, movimento associado a mudanças regulatórias e à busca por fontes alternativas de recursos. (abecip.org.br)

Investimentos públicos ampliam oferta habitacional

A política habitacional municipal também passou a ter peso maior no mercado. A Prefeitura de São Paulo informou que o orçamento da habitação chegou a R$ 5,56 bilhões em 2025 e tem previsão de R$ 6,65 bilhões para 2026. Entre 2025 e fevereiro de 2026, 7.099 famílias conquistaram a casa própria, enquanto 43.682 unidades estavam em construção. (www2.prefeitura.sp.gov.br)

Outra mudança com impacto para proprietários foi a atualização das regras do IPTU a partir de 2026. A Lei Municipal nº 18.330, de 11 de novembro de 2025, ampliou faixas de isenção e desconto para determinados imóveis residenciais, conforme o valor venal e as características da unidade. (legislacao.prefeitura.sp.gov.br)

O cenário para os próximos meses combina oferta elevada, demanda concentrada em imóveis de menor metragem e incertezas relacionadas aos juros, ao crédito e aos custos de construção. A tendência é que as incorporadoras mantenham o foco no segmento econômico, enquanto aguardam condições mais favoráveis para ampliar os lançamentos destinados à classe média e ao alto padrão.