A Casa das Rosas é um dos principais símbolos da memória arquitetônica da Avenida Paulista, em São Paulo. Instalado em um casarão construído entre 1927 e 1935, o museu preserva características da antiga paisagem residencial da avenida, marcada por palacetes e grandes jardins.
Atualmente, o espaço reúne patrimônio histórico, exposições, atividades educativas, cursos e ações voltadas à literatura e à compreensão das transformações urbanas da capital paulista. O conjunto é formado pelo casarão, uma edícula e um jardim com roseiral.
Origem e construção do casarão
O projeto foi encomendado pelo casal Ernesto Dias de Castro e Lúcia Lacaze Ramos de Azevedo. A obra esteve ligada ao Escritório Técnico Ramos de Azevedo e foi acompanhada pelo engenheiro Felisberto Ranzini, em um período de expansão e valorização da Avenida Paulista.
A residência foi concluída em 1935 e permaneceu ocupada pela família por 51 anos. A última moradora deixou o imóvel em 1986, quando a avenida já havia passado por profundas mudanças. A antiga área de moradias de alto padrão havia sido gradualmente substituída por edifícios comerciais e pelo perfil financeiro que caracteriza a região.
De residência a patrimônio cultural
A Casa das Rosas foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo em 1985. O reconhecimento municipal, pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo, ocorreu em 1990.
Em 1991, o imóvel foi aberto ao público como espaço cultural. Inicialmente, recebeu exposições de artes visuais. A partir de 2004, passou a abrigar o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, após a incorporação do acervo do poeta, tradutor e crítico literário Haroldo de Campos. Embora o acervo esteja associado ao escritor, ele nunca morou no casarão.
Arquitetura e relação com a Avenida Paulista
O valor da Casa das Rosas está tanto nos elementos arquitetônicos quanto na relação do imóvel com a história da cidade. O casarão é um dos poucos remanescentes da fase residencial da Avenida Paulista e permite observar mudanças nos modos de morar, na ocupação do território e na paisagem urbana.
Entre 2021 e 2023, o imóvel passou por um processo de restauro que priorizou a recuperação de elementos originais e a ampliação dos recursos de acessibilidade. A intervenção incluiu melhorias para circulação e acesso aos diferentes pavimentos.
Programação cultural e visitação
Como museu-casa, a instituição promove exposições, visitas mediadas, oficinas, cursos de literatura e atividades de formação. O jardim também integra a experiência do visitante e funciona como área de convivência em meio ao movimento intenso da Avenida Paulista.
A entrada no museu é gratuita. De acordo com as informações oficiais, o espaço funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30, com permanência até as 18h. O jardim abre diariamente, das 7h às 22h. Antes da visita, é recomendável consultar a programação e eventuais alterações no site oficial da Casa das Rosas.
Mais do que um casarão preservado, a Casa das Rosas funciona como um ponto de encontro entre arquitetura, literatura, memória e história urbana. Sua permanência na Avenida Paulista ajuda a contar como São Paulo deixou de ser uma área predominantemente residencial para se transformar em um dos principais centros econômicos e culturais do país.