sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Lanternas tradicionais da Liberdade ajudam a contar a história de São Paulo

As lanternas tradicionais da Liberdade, em São Paulo, fazem parte da paisagem do bairro desde a década de 1970 e ajudam a representar a presença japonesa e asiática na região. Conhecidas como suzuranto, elas também integram uma história marcada por transformações culturais e urbanas.

As lanternas tradicionais da Liberdade são um dos elementos mais conhecidos da paisagem de São Paulo. Instaladas em ruas do bairro a partir da década de 1970, as luminárias vermelhas passaram a identificar visualmente a presença japonesa e asiática na região e se transformaram em um dos principais símbolos turísticos da capital paulista.

Conhecidas como suzuranto, essas luminárias foram inspiradas nas lanternas japonesas tradicionais, chamadas chōchin. No Japão, esse tipo de lanterna é associado a estruturas leves feitas originalmente com materiais como papel e bambu. Em São Paulo, o modelo foi adaptado para a iluminação pública e incorporado à decoração urbana do bairro.

Como as lanternas chegaram ao bairro

A instalação das primeiras luminárias ocorreu durante o processo de transformação da Liberdade em uma referência da cultura japonesa na cidade. Segundo registros da Prefeitura de São Paulo, as primeiras lanternas suzuranto foram colocadas em algumas vias do bairro na década de 1970. A decoração passou a dividir espaço com portais, referências arquitetônicas orientais, restaurantes, lojas e eventos culturais.

O conjunto ajudou a consolidar a imagem da Liberdade como um dos principais destinos ligados à cultura japonesa em São Paulo. A iluminação, especialmente à noite, tornou-se parte da experiência de quem circula pelas ruas do bairro, ao lado de elementos como o portal torii, a Praça da Liberdade e a feira de artesanato e gastronomia.

Um símbolo visual, mas não a história completa

Embora as lanternas sejam associadas principalmente à imigração japonesa, a história da Liberdade é mais ampla. Antes da consolidação da identidade oriental do bairro, a região já estava ligada à presença de populações negras e indígenas e a episódios importantes da formação de São Paulo.

Essa sobreposição de memórias passou a ser mais discutida à medida que a paisagem do bairro foi transformada. A decoração oriental é uma parte importante da identidade atual da Liberdade, mas não elimina as referências históricas anteriores nem a diversidade cultural que permanece presente nas ruas, nos estabelecimentos e nos espaços religiosos da região.

Manutenção e mudanças na paisagem

As luminárias passaram por substituições e revitalizações ao longo dos anos. Em intervenções realizadas pelo poder público, unidades antigas foram trocadas por modelos mais resistentes e adequados à iluminação urbana. Em alguns trechos, também houve mudanças motivadas por questões de preservação histórica e pela necessidade de valorizar outros elementos do bairro.

Em 2023, por exemplo, luminárias da Rua dos Aflitos foram retiradas após manifestações de entidades ligadas ao movimento negro. A decisão abriu discussão sobre a adequação da decoração oriental em locais relacionados à memória afro-brasileira da Liberdade.

Mesmo com alterações pontuais, as lanternas tradicionais continuam associadas à imagem do bairro. Mais do que peças de iluminação, elas representam uma das camadas da história urbana de São Paulo e mostram como a paisagem de uma região pode ser construída por imigração, comércio, turismo, memória e disputas de representação.