sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro foge do Brasil após ordem do STF e segue para o Equador

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o grupo entrou no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves e embarcou em um voo privado com destino a Guayaquil, no Equador.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas. A saída ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o parlamentar entregasse os passaportes à Polícia Federal e não deixasse o país.

A entrada da família na Argentina foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações do país. Segundo o órgão, o grupo cruzou a fronteira às 22h50 pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Cerca de 40 minutos depois, embarcou em um avião privado da empresa Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador.

As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, com base em dados fornecidos pelas autoridades argentinas. A documentação apresentada pelos quatro passageiros foi considerada válida para a entrada no país, e não havia registro de impedimento legal no momento da travessia.

Saída ocorreu após ordem do STF

A decisão que restringiu a saída de Flávio Bolsonaro foi tomada por Moraes na segunda-feira (26). O ministro determinou a entrega dos passaportes em prazo de 24 horas e proibiu o senador de deixar o território nacional.

A medida foi adotada no âmbito de um inquérito que investiga Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a empresas de apostas. Os dois negam qualquer irregularidade. O processo tramita no STF porque Flávio ainda exerce o mandato de senador.

De acordo com informações reproduzidas pela Agência Brasil, a decisão de Moraes também levou em conta declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que havia defendido a saída de Flávio do país caso ele perdesse a eleição presidencial.

Flávio não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido. Após o descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes emitidos em nome do senador, segundo informações divulgadas pelas autoridades brasileiras.

Senador havia negado intenção de deixar o país

Na segunda-feira (26), depois de ser intimado, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que não pretendia deixar o Brasil. Ele declarou que permaneceria no país para organizar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no segundo turno da eleição presidencial.

No dia seguinte, porém, aliados do senador e fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram que ele havia deixado o território brasileiro. Inicialmente, não havia informações oficiais sobre a rota utilizada. A confirmação da entrada na Argentina esclareceu parte do trajeto.

As autoridades argentinas informaram que Flávio, a mulher e as duas filhas passaram pelo controle migratório regular. O grupo teria seguido para o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde partiu em voo privado para Guayaquil. Até o momento, a confirmação pública disponível diz respeito à entrada na Argentina e ao deslocamento para o Equador.

Destino final ainda não estava confirmado

Antes da confirmação da rota pela Argentina, notícias apontavam que Flávio Bolsonaro poderia seguir diretamente para os Estados Unidos. Um aliado do senador afirmou à Reuters que ele havia chegado ao país, e uma fonte do governo norte-americano disse que os Estados Unidos emitiriam vistos para Flávio e seus familiares.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que os vistos seriam concedidos, mas os dados divulgados não confirmavam, naquele momento, a chegada efetiva do senador ao território norte-americano. A informação mais recente confirmada pelas autoridades migratórias é a de que a família deixou a Argentina com destino a Guayaquil.

Também não havia confirmação pública sobre eventual pedido de asilo político. O governo argentino afirmou que não recebeu solicitação dessa natureza relacionada ao senador.

Investigação e consequências jurídicas

A saída do Brasil ocorreu em meio a duas investigações. A principal delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro em operações envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O advogado também é investigado em outro caso relacionado a descontos considerados irregulares em benefícios de aposentados.

Flávio também é citado em um inquérito que apura supostos pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirmou ter intermediado mais de R$ 60 milhões destinados ao projeto, mas nega qualquer participação em irregularidades.

O descumprimento da ordem judicial poderá ser analisado no próprio inquérito. Eventuais medidas contra o senador dependem de novas decisões do STF e das informações reunidas pela Polícia Federal sobre a saída do país.

Contexto político

A viagem ocorreu dois dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no segundo turno da eleição presidencial. O senador não havia reconhecido formalmente o resultado e declarou que pretendia questionar a votação na Justiça Eleitoral.

O Partido Liberal, no entanto, reconheceu a vitória de Lula. A saída também provocou comparações com a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota para Lula nas eleições de 2022. O ex-presidente deixou o Brasil antes da posse do adversário, mas retornou posteriormente.

Até a última atualização das informações oficiais, Flávio Bolsonaro estava fora do Brasil e havia seguido para o Equador com a família. A eventual chegada aos Estados Unidos, o local de permanência e os próximos passos jurídicos ainda dependem de confirmação das autoridades competentes.