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São Paulo

Em meio a promessas, centro de SP vive debandada de comerciantes

6 de abril de 2024
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Nos cerca de 400 metros da rua Direita, no centro histórico de São Paulo, não se veem mais “vitrines coloridas” e “um movimento intenso”, como diz a música consagrada pelos Originais do Samba na década de 1970. Pelo contrário. Neste momento há pelo menos 17 comércios com as portas baixadas boa parte com a placa de “aluga-se”. O centro vive um de seus piores momentos senão o pior.

A reportagem da Gazeta visitou a via nesta semana além de outras da região e presenciou os portões de ferro baixados e comerciantes desanimados. Boa parte dos comércios resistentes é de unidade de grandes redes, como Americanas, McDonald’s e Oxxo.

Os motivos da decadência, de acordo com comerciantes ouvidos pela reportagem, são o crescimento da frequência de usuários de drogas, a saída dos escritórios comerciais para outros lugares da cidade e o aumento do home office. As vias estão a poucos metros da sede da Prefeitura de São Paulo e do Vale do Anhangabaú.

“Sou dedicado ao comércio desde pequeno, então sobrevivo na raça. Mas está difícil. Tive que diminuir o número de funcionários”, disse Antônio César Alves Monteiro, responsável pela ACA Monteiro, loja de malas e bolsas na rua Direita.

Quando a reportagem visitou o estabelecimento, ao meio-dia de uma terça, havia apenas um cliente procurando por mochilas no comércio.

Ele afirmou que a região viveu “uma espécie de faroeste” há cerca de um ano. “Estava feio o negócio. Tinha de 60 a 70 assaltos por dia”. Hoje, disse, o policiamento aumentou bastante, mas a falta de circulação de clientes continua sendo um problema.

Antônio César Alves Monteiro, responsável pela ACA Monteiro, loja de malas e bolsas na rua Direita/Bruno Hoffmann

Ele também, de forma esperançosa, disse confiar nos planos do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para trazer o centro de volta aos seus melhores momentos.

“O governador e o prefeito estão reanimando as pessoas a voltarem ao centro. Quem vem de fora quer conhecer o centro, frequentar os pontos históricos. Confio que vai dar certo”.

Segundo ele, a imprensa também tem parcela de culpa pelo sumiço do movimento pelo centro histórico. “A imprensa começou a divulgar muito sobre o índice de assalto, o pessoal ficou assustado, com medo, e deixou de vir”, analisou ele.

‘Nunca vi o centro tão inseguro’

“Tudo piorou depois da pandemia. Falta segurança. Nunca vi o centro tão inseguro quanto agora. O centro está largado”, disse o comerciante Ricardo D’Agosto, responsável pelo chaveiro Dr. Das Fechaduras, localizada em uma galeria da rua São Bento.

Aos 58 anos, D’Agosto trabalha na região há 43 anos. O avô dele fundou a loja na região em 1935. Ele disse que a rua São Bento é uma espécie de divisão que simboliza a decadência na região.

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“Aqui ainda estamos resistindo. Mas da São Bento para cima está tudo fechando, baixando as portas”, afirmou.

Segundo ele, hoje o seu faturamento é 60% menor de 2019, antes da pandemia.

O comerciante acredita que os planos do prefeito Ricardo Nunes podem melhorar a região, “se a oposição não impedir”.

Já um outro comerciante, da rua Líbero Badaró, que preferiu não se identificar, confirmou o fechamento rápido dos estabelecimentos.

“O centro deu uma caída grande. A São Bento deu uma melhorada, mas nada demais. Aqui na Líbero Badaró também melhorou um pouquinho, mas até um ano atrás estava bem ruim. Já a rua Direita está aquilo lá que você viu…”

Projetos da Prefeitura e do Governo de SP

A Prefeitura de São Paulo anunciou uma série de medidas para revitalizar o centro de São Paulo. Uma delas é o Bonde São Paulo, um sistema de VLT – aos moldes do que existe no Rio de Janeiro – para conectar os principais pontos da região central, da Estação da Luz ao Brás.

Já o projeto mais ambicioso do Governo de São Paulo é o de transferir a sede da gestão estadual do Palácio dos Bandeirantes, na zona sul, para a avenida Rio Branco.

O local, no bairro dos Campos Elíseos, já abrigou a sede do governo estadual de 1915 a 1967. A região fica a menos de um quilômetro do fluxo da cracolândia.

A reportagem questionou a Secretaria de Segurança Pública e a prefeitura sobre a insegurança no centro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.  

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